O fenômeno do sono é de interesse tanto para a Psicologia como para a Psicanálise, no que tange à compreensão dos mecanismos que regem o sonhar. Mais especificamente, a Psicologia se dedica em desvendar o funcionamento do sono, deixando de lado o sonho que, para a Psicanálise é de suma importância. Pensamos que para retratarmos bem os mecanismos que envolvem o sonho, devemos mencionar algumas das principais descobertas da Psicologia quanto ao fenômeno do sono.
Dormir é sonhar e sonhar é uma necessidade neurofisiológica. Estudos do campo da Psicologia têm determinado que a privação do sono acarreta sérias consequências mentais e físicas.
O primeiro aspecto importante que a Psicologia desvendou sobre o sono é que existem tipos de sono: NREM (No Rapid Eye Movements) e REM (Rapid Eye Movements). A distinção encontra-se na observação de que durante o sono REM os olhos saltam de um lado para o outro, como se observassem uma cena. Neste, observa-se também uma variação no Sistema Nervoso Autônomo, com a respiração e o ritmo cardíaco tornando-se mais rápidos e irregulares, a pressão arterial mais elevada e um aumento da secreção dos hormônios supra-renais. Dentro das distinções presentes no sono REM, há também a ocorrência nos indivíduos masculinos (de todas as idades), a ereção peniana. Ocorre também nos indivíduos femininos uma reação correspondente no tecido vaginal.
Os estudos que decifraram este movimento dos olhos no sono foram realizados em 1953 pelo Dr. Nathaniel Kleitman. Tais pesquisas de laboratório mediram as ondas cerebrais de pessoas durante o sono através do eletroencefalograma, as variações musculares, através do eletromiograma, e a movimentação específica dos olhos, através do eletrooculograma.
Sabe-se também que há quatro estágios no sono REM, onde cada um caracteriza-se por um padrão de onda cerebral. O primeiro estágio é o sono leve, que marca o iniciar do sono, tem a duração de alguns minutos , quando o indivíduo fica relaxado, com os pensamentos mais ou menos descoordenados, podendo já neste estágio ocorrer sonhos. O segundo estágio é o sono intermediário, ocorrendo um relaxamento maior, podendo ocorrer experiências sensoriais sem base real (alucinações) e crispações súbitas e desordenadas do corpo, seguidas de sensações de queda.
O terceiro estágio é o do sono profundo, quando o indivíduo se torna insensível aos sons e oferecerá resistência em ser acordado. No quarto estágio, o sono mais profundo, há uma total relaxação, com o mais completo desligamento do mundo exterior. É nesta fase que podem ocorrer irregularidades como o
Em seu livro sobre o sonho, Leon L. Altman explica que as mudanças neurofisiológicas que têm lugar durante os períodos REM sugerem que a ativação da área límbida do cérebro - uma área associada ao funcionamento primitivo de impulsos e afetos - está em jogo. O autor vê essa retrogressão como uma corroboração à teoria de Freud, de que o sonho é um fenômeno regressivo, o qual nos devolve aos estados primitivos da infância.